Combatendo a Dengue, Zica e Chikungunya

No Brasil, a erradicação do Aedes aegypti na década de 30, levada a efeito para o controle da febre amarela, fez desaparecer também o dengue. No entanto, em 1976 o Aedes aegypti reapareceu no Brasil, definitivamente, a partir de Salvador (BA). Em 1981 ocorreu uma epidemia de dengue (vírus 1 e 4) em Boa Vista (RR) e, atualmente, a doença é registrada em todas as Regiões do país. No Rio de Janeiro ocorreram três grandes epidemias, em 1986-87 (vírus 1), 1990-91 (vírus 2) e 2001-02 (vírus 3), totalizando mais de meio milhão de casos.

Diferenças entre a Dengue, Chikungunya e Zika.

O Brasil é um país que apresenta vários tipos de clima, com predominância dos quentes e úmidos. Essa característica faz com que uma grande quantidade de insetos estabeleça-se em nosso território, como é o caso dos mosquitos do gênero Aedes, que se desenvolvem, principalmente, em zonas tropicais e subtropicais.

Os mosquitos do gênero Aedes são importantes vetores de doenças. No Brasil, o Aedes aegypti é a espécie que merece maior atenção. Como exemplo de doenças provocadas por esse mosquito, podemos destacar a dengue, a chikungunya e a zika.Além de serem transmitidas pelo mesmo mosquito, a dengue, a chikungunya e a zika são doenças que apresentam alguns sintomas semelhantes, o que pode dificultar o diagnóstico. Entretanto, pequenas diferenças existem e podem ser usadas como critério para a diferenciação.

Dengue.

É sem dúvidas, a doença mais grave quando comparada à chikungunya e à zika. Ela causa febre, dores no corpo, dores de cabeça e nos olhos, falta de ar, manchas na pele e indisposição. Em casos mais graves, a dengue pode provocar hemorragias, que, por sua vez, podem ocasionar óbito.

A dengue é uma doença viral que todos os anos acomete milhares de pessoas em nosso país e em várias outras regiões tropicais do planeta. Essa doença, transmitida pela picada de um mosquito, é considerada um grave problema de saúde pública, e os números sempre crescentes dos casos da doença tornam a sua erradicação um desafio cada vez maior.A doença é transmitida pelos mosquitos Aedes aegypti e Aedes albopictus. No Brasil, a transmissão ocorre através do A. aegypti, chamado popularmente de mosquito-da-dengue. Apesar da existência em território nacional do A. albopictus, não há registros que esse artrópode transmita a dengue no nosso país, entretanto, ele é um importante vetor nos países asiáticos.Normalmente o Aedes pica no início da manhã e no final da tarde, uma vez que possui hábitos diurnos. É um mosquito muito bem adaptado ao ambiente urbano, portanto, pode ser encontrado facilmente no interior das residências, principalmente em locais escuros, como atrás de armários e sofás.

Somente a fêmea do mosquito pica os humanos, sendo ela, portanto, a responsável pela transmissão do vírus. O vírus causador da dengue é do gênero Flavivírus e pertence à família Flaviviridade. No Brasil, existem quatro sorotipos virais diferentes da doença: DEN-1, DEN-2, DEN-3 e DEN-4.A dengue pode apresentar diferentes formas clínicas, dentre elas, podem ser destacadas a dengue clássica, a dengue com complicações, a dengue hemorrágica e a síndrome do choque da dengue, que é a forma mais preocupante. A dengue clássica é a mais comum e destaca-se por causar febre alta (superior a 39°), dores de cabeça, no corpo, nas articulações e nos olhos; fraqueza, vômitos, manchas na pele e coceira. Geralmente esses sintomas não persistem por tempo superior a uma semana, entretanto, em alguns casos, pode ocorrer evolução para formas graves da doença.Nas formas mais graves da dengue, alguns sintomas podem ser observados, como dores abdominais, vômitos constantes, tonturas, acúmulo de líquidos e hemorragias, principalmente no nariz e gengivas. Ao perceber qualquer um desses sintomas, deve-se procurar imediatamente os postos de saúde.

Diagnóstico.

O diagnóstico da dengue é feito através de exames sorológicos ou então de detecção viral. Os testes sorológicos são os mais utilizados, mas só devem ser realizados após cinco dias de doença, uma vez que antes desse período nosso corpo ainda não possui anticorpos contra o vírus e o resultado será, portanto, negativo.Não existe tratamento específico para a dengue, por isso, recomendam-se apenas repouso e hidratação. Em casos mais graves, medidas especiais devem ser tomadas, tais como internação e hidratação venosa. É importante frisar que durante todo o período de tratamento não devem ser utilizados medicamentos que possuam ácido acetilsalicílico, uma vez que podem desencadear hemorragias por alterarem o mecanismo de coagulação.

Para prevenir-se da dengue.

devemos lutar contra o mosquito, destruindo os criadouros da doença. É importante evitar o acúmulo de água parada, limpar sempre as caixas d’água e mantê-las fechadas, trocar a água de vasos de plantas aquáticas, secar os pratinhos dos vasos de plantas, limpar os ralos, tratar a piscina com cloro e nunca descartar lixo de maneira inadequada. Somente com a ajuda de todos poderemos colocar um fim na dengue!

A chikungunya.

A febre Chikungunya é uma doença relativamente nova no Brasil. O primeiro caso registrado de transmissão dentro do território nacional ocorreu em 2014. Ela é causada por um vírus (CHOKV- Vírus Chikungunya) da família Togaviridae e do gênero Alphavirus e apresenta como vetor os mosquitos do gênero Aedes: Aedes aegypti e Aedes albopictus.A primeira epidemia que se têm registros ocorreu entre 1952 e 1953 na África. Foi nessa região, inclusive, que essa doença recebeu a denominação Chikungunya, que significa “aqueles que se dobram”, uma alusão à aparência curvada dos pacientes, que não conseguiam erguer seus corpos em virtude das dores articulares características.

A febre Chikungunya pode atingir qualquer pessoa, mas os sintomas apresentam-se mais intensos em crianças, idosos e pacientes com doenças crônicas. Assim sendo, essas pessoas necessitam de cuidados redobrados durante o período de tratamento.Como já ressaltado, a Chikungunya é transmitida pelos mosquitos do gênero Aedes, mais precisamente pelas fêmeas desses mosquitos. Estima-se que pelo menos 30% das pessoas picadas pelo mosquito infectado não tenham desenvolvido sintomas da doença, permanecendo assintomáticas. Após adquirir a Chikungunya, um paciente torna-se imunizado pelo resto de sua vida.

Diagnóstico.

Pode ser feito analisando-se apenas os sintomas, mas a confirmação de cada caso necessita da realização de testes laboratoriais, tais como sorologia, a técnica do PCR (reação em cadeia da polimerase) e o isolamento viral. Assim como a dengue, não existe um tratamento específico para curar a febre Chikungunya. Pacientes com essa doença são orientados a tomar medicamentos para diminuir a febre e as dores articulares e a ingerir uma grande quantidade de líquidos. Como nos casos de dengue, também pede-se que ácido acetil salicílico não seja ingerido sob o risco de desencadear hemorragias.

Para prevenir-se.

É fundamental que se controle o número de mosquitos no ambiente. Para isso, é essencial que os criadouros dos mosquitos sejam destruídos. Portanto, não deixe água parada e objetos que possam servir para o acúmulo de água.

Curiosidade.

Uma pessoa pode ter dengue e febre Chikungunya ao mesmo tempo.

Zica.

É a doença que causa os sintomas mais leves. Pacientes com essa enfermidade apresentam febre mais baixa que a da dengue e chikungunya, olhos avermelhados e coceira característica. Em virtude desses sintomas, muitas vezes a doença é confundida com alergia. Normalmente a zika não causa morte, e os sintomas não duram mais que sete dias. Vale frisar, no entanto, que a febre zika relaciona-se com uma síndrome neurológica que causa paralisia, a Síndrome de Guillain-Barré, e também com casos de microcefalia.

Febre Zika é uma doença relativamente nova em nosso território. O primeiro caso foi registrado em 2015. Pesquisadores sugerem que a doença chegou à América Latina por intermédio de turistas que visitaram o continente durante a Copa do Mundo de 2014.Essa doença é causada por um vírus de RNA denominado Zika Vírus (ZIKAV), que pertence à família Flaviviridae e é do gênero Flavivirus. O vírus é transmitido, principalmente, pela picada de mosquitos do gênero Aedes, mas há indícios de que a contaminação possa ocorrer também por relações sexuais e de forma perinatal (da mãe para o bebê).O ZIKAV foi isolado pela primeira vez em 1947, durante estudos com macacos na floresta de Zika, na Uganda, África. Casos em humanos foram relatados apenas na década de 60. O primeiro grande surto da febre Zika foi registrado em 2007, na Micronésia, no Pacífico Norte.

A febre Zika causa sintomas bastante semelhantes aos da dengue, mas menos intensos. O paciente com essa enfermidade apresenta febre moderada, conjuntivite, diarreia, vômitos, dores musculares, nas articulações e de cabeça, bem como manchas e coceira pelo corpo. Recentemente, foi constatada a relação da doença com dois problemas de saúde graves: a Síndrome de Guillain-Barré, uma síndrome neurológica que pode causar paralisa, e a microcefalia, responsável por retardo mental em crianças.Por ser muito semelhante à dengue, à febre Chikungunya e a quadros alérgicos, a febre Zika pode ser facilmente confundida com um desses problemas, sendo o diagnóstico clínico um desafio. Assim sendo, diante dos sintomas, são fundamentais testes laboratoriais para confirmar a doença. Atualmente a técnica mais utilizada é o RT-PCR, uma ferramenta extremamente útil para detectar quais proteínas estão sendo expressas.

O tratamento da febre Zika.

É sintomático, ou seja, preocupa-se apenas em aliviar os sintomas da doença. Para diminuir febres e dores pelo corpo, recomenda-se o uso de paracetamol; para diminuir o prurido, recomendam-se anti-histamínicos. A doença cura-se sozinha em aproximadamente 12 dias e não apresenta complicações. Para prevenir-se da febre Zika, os cuidados são os mesmos para outras doenças transmitidas pelos mosquitos do gênero Aedes: eliminar o criadouro do mosquito. Para isso, evite deixar expostos recipientes que possam servir para o acúmulo de água. Com medidas simples, é possível evitar o avanço dessa e de outras doenças.

Fontes: MUNDO EDUCAÇÃO